12 de dezembro de 2018

Por quê um hard fork nunca deveria existir em uma moeda digital?

Entendemos que a tecnologia evolui, e com ela, novas falhas de segurança, ou divergência entre equipes de desenvolvimento de código aberto, e problemas de escalabilidade, surgem necessidades especiais para que seja aplicado uma atualização na rede.

Dentre os usuários afetados, estão entre usuários que possuem cripto-moedas, assim como mineradores, que trabalham para proteger as transações dos usuários minerando os blocos e ganhando uma recompensa pelo trabalho efetuado.

Mas existe um conceito que vem sido adotado em praticamente qualquer atualização: um "hard fork", que nada mais é que realizar uma atualização do software da moeda, que é praticamente reutilizar o código fonte da moeda original, realizar os ajustes, e re-aproveitar a base do blockchain existente da moeda de origem. Pera, por qual motivo re-aproveitar uma base de blockchain em uma "nova" moeda?


As cripto-moedas e seus códigos fontes

Os códigos de programação da maioria das moedas existem em repositórios de versionamento públicos, assim como o Github, ou o Gitlab, dependendo da comunidade que o gerencia.

Qualquer um pode realizar o download do código, compilar, e manter esta versão ativa "as-is" por prazo indeterminado.

As moedas como Bitcoin são geridas por comunidades, porém uma atualização no código fonte da aplicação desta moeda, é uma tarefa quase que impossível, já que usuários e mineradores não fazem questão de atualizar o código fonte, principalmente para adotarem novas funcionalidades.

Moedas bem geridas, com uma equipe de desenvolvimento praticamente proprietária, por outro lado, conseguem ter isto de forma mais natural, como acontece com o Bytecoin, que apesar de ser considerado um enorme "scam", ou uma moeda fraudulenta, seu código é atualizado e gerido de tal forma que conseguem manter o mesmo software para toda a comunidade, podendo atualizar, com grande adoção de atualização pela rede. Claro, a moeda é pequena em capital de mercado, mas o que a equipe de desenvolvimento consegue fazer, está muitos anos a frente de qualquer moeda como Bitcoin, onde a resistência em aceitar atualizações é uma das maiores.

Então, quando uma moeda precisa passar por uma correção de segurança, a equipe de desenvolvimento praticamente realiza a alteração, esta é geralmente revista por uma enorme quantidade de desenvolvedores, e os usuários precisam adotar o software atualizado para que em determinado bloco ele passe a operar com a atualização.

Mas quando a própria equipe de desenvolvimento diverge-se entre ter a atualização, ou não ter, então podem surgir novas moedas, e para conseguir aproveitar a base de usuários da moeda anterior, copia-se o blockchain da moeda de origem até determinado bloco, e inicia-se uma nova ramificação da moeda, utilizando as mesmas carteiras, chaves privadas, e: "valores".

A duplicação de valores digitais

Assim que uma nova moeda é criada, os valores que existiam no blockchain até determinada data, também existirão, então a moeda surge já valendo alguma coisa, diferente de uma moeda que acabou de ser criada.

Então quando surgiu o Bitcoin Cash, quem tivesse algum valor correspondente em carteira até a ocasião do "hard fork", teve seu valor clonado para Bitcoin Cash, e por sua vez, clonado para Bitcoin ABC e Bitcoin SV (houveram 2 hard forks recentes).

Então, se alguém tivesse 1 milhão de BTC, teria também 1 milhão de BCH, 1 milhão de BCHABC e 1 milhão de BCHSV.

É por isto que: um "hard fork" é a pior coisa que pode existir para a moeda, mesmo sendo a melhor coisa que pode existir para a moeda. É simplesmente a faca de 2 gumes, corta para o lado do bem, e ao mesmo tempo corta para o lado do mal, como se fossem uma enorme divergência entre sim/não, gerando um novo valor para este valor.

Duplicação monetária

Em economia, um determinado valor precisa corresponder a outro exatamente na mesma proporcionalidade e quantidade, do ponto que, seus valores representem o real ecossistema completo de um determinado lugar, como um país, onde os valores são correlacionados ao PIB (produto interno bruto), então, quando um país emite mais notas, imprime mais cédulas, sem aumentar o PIB, isto significa que o valor deixa de equiparar-se com de outros países, perdendo valor.

Na época que Brasil construiu Brasília, milhares de cédulas eram emitidas para o desenvolvimento do país, em uma inflação desenfreada e totalmente descontrolada, onde não havia segurança alguma na moeda local, e muitos dos bens no Brasil na época, como os carros, que eram vendidos em dólares, devido sua estabilidade.

O maior "scam" da história

Um cripto-ativo deveria seguir o inverso do proposto pelas atualizações. Vimos que com o "hard fork", simplesmente Bitcoin despencou de seus US$ 7000 para US$ 3300, sem uma explicação; porém, há de se compreender, que não foi por acaso, afinal, agora o usuário tem BTC, BCH, BCHABC e BCHSV para operar.

Por mais que absolutamente ninguém com valores mantidos nas carteiras após o "hard fork" de BCH pudesse ter valores em BCHABC ou BCHSV, quem ficou lá atrás com milhares de BTCs sem alterações, acabou recebendo o mesmo em todos os forks, ou seja, milhares de novos BTCs foram "emitidos", e continuarão sendo a cada novo "hard fork".

Isto é, nada mais nada menos, que o maior "scam" da história de cripto-moedas, onde simplesmente um grupo de desenvolvedores "imprime" realmente dinheiro, simplesmente ao reaproveitar o blockchain, dizendo ser uma "atualização" da moeda de origem, mas isto é uma enorme mentira.

A equipe do Bytecoin, como já descrito acima, faz várias atualizações em sua rede, mantendo a mesma moeda, evitando assim por estratégia de segurança, que as chaves privadas sejam usadas em outros forks indevidamente por softwares fraudulentos, e que acabem sendo clonadas para acessar as moedas em todas as outras moedas.

Eles são contra, pelo menos até agora, ao desenvolvimento de moedas que gerem um novo caminho dos blocos, duplicando os valores, carteiras, e chaves privadas/públicas, assim como acontece com XMR (Monero), que também é baseado na mesma tecnologia, porém foi um "fork" limpo inicialmente, sem compartilhar as carteiras, mas passou a realizar estas mesmas ações com XMO e etc.

Etherum também já passou por isto, e usuários do Etherum Classic, tiveram seus valores clonados para a nova moeda, enquanto que o "Classic" ficou para quem não quer atualizar o software, e é por isto que acabou ocorrendo o que aconteceu.

Atualizações desativadas

A maior falha de segurança em cripto-moedas, e que podem deteriorará-las por completo, é a falta de adoção da atualização dos softwares e carteiras dos usuários, que foram desenvolvidas por prazo indeterminado, sem ter uma programação que force a sua própria atualização.

Com isto, por mais que inicialmente os valores clonados façam parecer que a pessoa tenha "ganho mais", com o tempo, o mercado tenderá a corrigir este montante de novas moedas que foram "pré-mineradas" com a cópia do blockchain anterior, e este novo montante passará a se convergir para queda, até que os valores co-relacionados as moedas e PIBs dos países, se equalizem.

Já que estamos em um cenário de queda, então nada mal derrubar logo de vez com novos "hard forks" não é mesmo? Isto pode ser bom para questão de segurança da informação, escalabilidade, mas péssimo para quem possui moedas.

A alteração e/ou atualização de uma moeda, é nada mais, nada menos, que a mesma bagunça que acontece quando um país troca sua moeda local. É um transtorno.

Moedas digitais "anti-frágeis"

É muito difícil encontrar moedas "anti-frágeis" no meio de um cenário onde mais de 1000 moedas são geradas todos os dias em todo o mundo, e muito dos códigos fontes estão livres para consulta e replicação, alteração, disponíveis no Github para qualquer um criar uma nova versão.

Não temos, por hora, uma moeda dita anti-frágil, mas podemos talvez procurar por moedas que possam fazer o mesmo caminho de realizar atualizações em seu software de tempos em tempos para garantir a segurança da informação, forçando todos os usuários da rede a atualizarem o software, e ao mesmo tempo, manter o mesmo blochchain, sem duplicá-lo em sua moeda principal, sem gerar novos pares de moeda.

Atualmente moedas como Bytecoin, que tem este princípio, infelizmente estão do lado oposto, sendo consideradas "scam", sendo removidas de exchanges em todo o mundo, e seu valor caindo a cada minuto que se passa, com pequenos e leves picos no passado, que são duros de voltarem a acontecer; sendo monetariamente extremamente frágil e insegura; e ligeiramente um risco de ser mantida, haja visto que para ter este controle efetivo de utilizar o mesmo blockchain, exige uma equipe de desenvolvimento proprietária e comprometida com um único princípio sem divergências, pois qualquer divergência poderia ser fatal para si, e para seus pares, caso haja algum.

Conclusão

Entendemos que as cripto-moedas são muito resistentes a atualização dos softwares das carteiras pelos usuários e para os mineradores, forçando novas atualizações urgentes e desesperadas pela equipe de desenvolvimento a copiarem o blockchain, duplicando carteiras, chaves criptográficas, para manter a existência da moeda na nova atualização, mas esta divergência de opinião leva a queda da moeda, devido ao simples método da economia de "impressão de papel moeda", que leva a inflação, derrubando o preço da moeda com relação as outras.

Uma boa equipe de desenvolvimento que não possui atritos ou divergências de pensamentos, podem adotar uma atualização de software forçada a partir de determinado bloco, garantindo a segurança, escalabilidade, evitando que novos pares de moedas surjam, e para evitar que o mercado corrija em queda pela "emissão" de novas moedas clonadas durante o fork.

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