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23 de junho de 2018

Qual o motivo para não ter franquia de internet fixa no Brasil


As operadoras insistem novamente em ter franquia de internet fixa no Brasil, e em várias mídias já saíram as informações que elas estão novamente cobrando a Anatel para que possam trazer uma solução para o caso.

Só que, isto, não será uma solução, nem aqui, nem em qualquer outro lugar. As operadoras alegam que poucos usuários utilizam muita banda, e muitos não utilizam quase nada. Só que o que está por detrás desta informação, vai além do que todos esperam de verdade.

Vamos analisar fatos críticos e importantes, que culminam para o principal motivo do Brasil não ter franquia de internet fixa.


No Brasil, a Internet chegou pelo advento da internet discada, que, pasmem, ainda existe atualmente em algumas regiões remotas do país, mas na época, a pessoa precisava ter uma linha de telefone, um computador com fax modem, preferencialmente da U.S. Robotics de 56 K, que era extremamente caro, passando de R$ 75,00 algum usado, e na época que com R$ 1,00 poderia comprar 15 pães na padaria, isto era muito dinheiro.

Além disto, você precisava do provedor, que cobrava outros R$ 35,00 por mês, como exemplo do AOL, UOL, e outros menores e regionais, que nem conseguiam oferecer conta de e-mail, como Netpar, e etc.

Então surgiu o advento da Internet sem provedor, com o lançamento do site iG - Internet Grátis, onde o usuário em qualquer lugar do país, com acesso a um telefone, poderia ter e-mail, site (através do HPG) e ao discador automático do iG, que atualizava os números de telefone automaticamente para a região para poder gastar menos com as ligações.

Sempre vivemos e convivemos com uma Internet limitada e imposta aos recursos naturais e tecnológicos da infraestrutura, que sempre foi e, talvez, sempre será, um dos maiores problemas no Brasil.

Atualmente, é óbvio que o cenário mudou, ao menos, nas capitais do país, ou melhor: São Paulo e Rio de Janeiro, e poucas capitais por aí podem também ter o luxo de uma Internet de qualidade, ainda assim, somente em alguns lugares da cidade.

Outros lugares mais afastados, ou regiões periféricas, ou cidades do Grande São Paulo, Grande Curitiba, sofrem com a infraestrutura de péssima qualidade.

O Brasil foi acostumado, até então, a velocidade máxima contratada, onde o usuário poderá usar a Internet para fins pessoais, limitados a alguma determinada velocidade.

Agora a Internet no celular, o cenário é outro, completamente diferente, pois sempre vivemos e convivemos com franquias, em detrito da velocidade, voltando a época do fax modem e dos provedores.

Claro que na época, não havia uma franquia estabelecida, mas todos sabiam dos custos dos pulsos, e de aproveitar o uso da Internet pela madrugada para acessar o que desejasse.

No celular, vemos que conforme a tecnologia avança, podemos ter toda a velocidade possível no celular, apenas trocando de aparelho, usando uma tecnologia melhor.

Ainda há operadoras que insistem em limitar a velocidade, mas elas estão dando o tiro no pé em vender velocidade com franquia.

Como assim?

Simples:

- Você vende uma franquia para uma pessoa para ela poder usar 2 GB de dados de Internet no celular. Mas a velocidade é tão lenta, que não chega a conseguir consumir esta franquia, simplesmente porque a tecnologia utilizada não permite consumir toda a franquia, e, além disto, tem a operadora do outro lado limitando a velocidade da Internet, sendo um segundo problema para o próprio cliente usar o contratado.

Entendeu o tamanho do problema que poderemos ter no Brasil com franquia vs velocidade?

Poderemos ter Internet cada vez mais lenta, com pacotes cada vez menores, e a desculpa das operadoras em continuar usando o limite da velocidade será a mesma de sempre: previnir que poucos usuários consumam 100% da rede.

Porém, haverá um conflito de interesses, pois, se o usuário estiver pagando a franquia, ele não terá direito de consumir 100% da rede, desde que tenha tecnologia para tal?

Então esbarramos em outro problema: A operadora irá liberar os 1 Gbps de fibra óptica para internet para todos os usuários, e quem tiver computadores com 1 Gbps poderão consumir toda a franquia que quiserem assim que precisarem?

Por exemplo, eu preciso realizar um trabalho e preciso enviar para a Internet. Isto será cobrado da franquia? Isto parece meio injusto, pois você está enviando dados para a rede, como um trabalho, vídeo do YouTube, entre outros.

Digamos que você contratou uma franquia de 50 GB para usar em algum determinado trabalho, e ainda precisará aumentar a velocidade da Internet contratada para conseguir usar sua franquia contratada.

Os planos fixos de Internet no Brasil, são simplesmente planos de fidelidade, que prendem o usuário por 1 ano no mínimo com pagamento de multa caso queira cancelar.

A prestação de serviços por demanda, não pode ser tratado como um contrato, simplesmente porque não pode ser mais aceito nas regras atuais de rede.

As regras definidas atualmente, são voltadas a garantir que os usuários usem de forma ilimitada a uma restrição específica de velocidade, e para franquias, as velocidades precisam ser revistas de forma que não haja conflito de interesses.

Vimos que as operadoras em ações anteriores, queriam manter a velocidade do cliente e incluir franquias de uso, porém não pode ser aplicada franquias para planos de Internet do mesmo modelo de negócio.

Se você tem um celular da Claro, você sabe que consegue pegar com um bom celular, até 50 Mbps de Internet, pois a operadora não limita a velocidade da estação rádio base para que você possa consumir toda a sua franquia. Se gastar seus 2 GB ou 5 GB em 1 minuto, o problema é seu, não dela.

Apesar de ser ruim para usuários desavisados, não há nada de errado com este modelo de negócio. Se a pessoa quer limitar a velocidade de Internet, a própria pode fazer isto no seu próprio roteador, e isto não deve ser algo que a operadora imponha, se for contratado por franquia.

Mas o Brasil não tem nenhuma infraestrutura para alteração desde modelo de negócio, não temos tanta fibra óptica como nos Estados Unidos, onde só o estado da Califórnia tem em receita o valor do PIB de todo o Brasil.

O modelo de negócio para Internet por franquia, não pode ser misturada no mesmo plano de negócio de Internet limitada por velocidade, e seria ridículo uma pessoa com uma Internet de 512 Kbps hoje, sendo limitada a transferir 20 GB no mês.

Só para ter uma noção, em um datacenter, nos Estados Unidos, você pode ter links de 1 Gbps para ligar servidores, com uma franquia de 5 TB de dados mês. Se você usar os 5 TB em 5 dias, você passa a pagar mais caro por isto, obviamente. Mas você tem a opção de ter 100 Mbps sem franquia.

Este plano de negócio no Brasil é totalmente inviável, pois a própria NET quer limitar para meros 20 GB de dados trafegados no mês.

Isto é assistir apenas 4 capítulos de sua série favorita da Netflix em HD atualmente, ou seja, nada.

O que estão querendo fazer, é simplesmente inserir uma regra para conseguirem lucrar muito mais, pois as ações estão em queda destas empresas, culminadas por serviços de streaming que ganham forças a cada dia mais.

O site Tutorial TI, não concorda com a política de franquia que as empresas querem adotar, substituindo e sobrepondo o atual cenário de produtos comercializados, usurpando o direito do consumidor de poder adquirir outros serviços usando a rede, como Netflix, Spotify, em detrimento a uma visão de lucro sem precedentes das empresas provedoras de Internet, que não podem oferecer uma rede para o estilo de franquia de consumo, onde a disponibilidade, velocidade, tem que ser entregues em patamares muito superiores.

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